Blog do Didú


Chablis. Nºs. Terroir, Climat por Eric Szablowski

Eu conheci um cara pé-franco e biodinâmico em Chablis. Seu nome é Eric Szablowski, um competente e apaixonado enólogo que hoje vive de consultorias e atende a grupos de visitantes a Chablis. Se você eventualmente for a Chablis e quiser conhecer de verdade o "Terroir" e os "Climat" de lá, não deixe de procurar por Eric no seu site Au Coeur du Vin.

O Eric foi escolhido para nos ensinar o "Terroir" e os "Climat" de Chablis e o fez com paixão. O cara sabe tudo e não esconde nada, dá sua opinião, tem firmeza, humor e simpatia. Tem os nºs todos na cabeça. Adorei conhece-lo, fizemos depois uma prova dos vinhos que foram vencedores do último concurso de Chablis 2012, comentada e explicada, vinho por vinho, terroir por terroir, climat por climat. Show. Uma pós-graduacnao intenssiva de Chablis.

Aqui você pode saber por ele mesmo o que é o Terroir, a complexidade dos Climat e ainda Chablis em números. Veja




Escrito por Didú às 17h36
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Reflexões do gênio parte III - final

Os cientistas deveriam servir a vida e não a interesses econômicos Você tem 300 ou 500 gramas de amor a seus filhos? Esta questão parece absurda e ainda assim é a que muitos cientistas tentam se fazer sem ao menos se  aperceberem disso.

Qualidade, o mundo qualitativo não pode ter noção com este tipo de medição. A planta levanta a matéria, lhe dá forma e a organiza. São essas forças organizadoras ou formativas que deveriam ser medidas para se alcançar o mundo qualitativo (testes de suscetibilidade da cristalização, por exemplo).

As ações deste mundo qualitativo, digamos mais uma vez, não pode ser medido por meios materiais, mas precisa ser harmonizado com  seu lugar porque é com essa beleza secreta, um equilíbrio, que nós queremos nos nutrir e não a confusão que o homem impôs na planta, cujos efeitos nocivos são escondidos pela tecnologia, numa  adega, por exemplo.

Nós estamos quase nos primordios destes entendimentos, um pouco como os aviões no século passado,  que voavam somente uns poucos metros acima do chão. As coisas irão muito alem e numa direção positiva, somente se essas investidas  forem feitas com consciência pelo entendimento, respeitando a vida no que ela tem de  mais nobre.

Até os pensamentos do homem ou homens formam forças vivas, e isso também é uma boa mão de plantar, nada mais que uma troca de energias. Estas forças estão todas ao nosso redor mas nós temos que reconhecer e aprender como utiliza-las sem desvios, sem tentar copia-las por razoes de economia ou força, só para se aproximar delas.

Proporções, formas geométricas – arquitetura sagrada por exemplo – incluindo números, são também portadores no seu arranjo de forças especificas. O numero dourado é um numero indivisível então que sempre carrega a unidade em si, um elo à globalidade. Esta é a razão que é utilizada tão frequentemente. Ela fala a nós através das proporções que impõe e  nos fomenta também. Os grandes pintores frequentemente fizeram uso dele e agora, o marketing quer tomar conta dele.

De uma certa maneira, a biodinâmica cria um elo com estas mesmas matrizes de força. Pegue o exemplo de uma vinha: os minúsculos brotos que são quase visíveis no mês de março vão se tornar galhos, folhas, flores e então uvas.

Mais de uma tonelada de matéria irá assim aparecer em cada hectare em 6 meses. Nós consideramos que 94% desta matéria, que nós extraímos a água (é então chamada de matéria seca) vem da fotosíntese ou da habilidade da vinha de pegar a energia solar, planetária, estelar e encarna-la.

É aí que devemos agir para corrigir os efeitos nocivos da poluição física e energética, antes ou no momento que a energia torna-se massa. Depois disso o jogo acabou; a matéria está lá e difícil de corrigir se tem alguma falha, uma falha que irá sem duvida submeter agora ou mais tarde como doença, que nós com certeza não iremos entender.

A grande particularidade da biodinâmica é de agir no momento quando a energia se torna massa. Ela age no nível da energia e assim indiretamente no nível físico.

É aqui que ela difere totalmente da agricultura orgânica. Umas poucas gramas por hectare de preparação não poderia ter efeito no nível físico, mas no nível de energia, é uma outra estória.

É aqui onde a biodinâmica extrai sua força, especialmente nos dias de hoje quando energias vitais nunca tiveram tão fracas. Isto é onde sua habilidade de fazer melhores vinhos vem. E é o contrario quando se utiliza destes horríveis  herbicidas e sistêmicos que envenenam a vida do solo e da seiva.

Finalmente, a possibilidade de se abster de usar praticamente qualquer técnica enológica na cave vem da aptidão da vinha ou da habilidade de unir estas energias criativas, ou essa informação cósmica.

Uma uva que tenha sido “bem criada” pode ser isenta de qualquer artificio  na adega porque ela tem em si toda a informação de se comportar da melhor maneira possível, ou por unificar todas as características do ano com o esteticismo do qual ela é consequencia. Nossas intervenções agrícolas tem afirmado em si o elo com a globalidade, com a harmonia criadora, com o que Kepler chamou de musica das esferas. Aí temos um vinho que é um lugar, uma originalidade, um trabalho de arte e o qual , de fato, será agradavel.

Eu espero que alguns de vocês, os jovens especialmente irão entender estas forças as quais podemos encadear a vinha pelas nossas decisões, nossos gestos e nosso entendimento. É essencial no sentido de nossas sociedades permanecerem qualitativas. Nós estamos aqui no oposto do que está sendo ensinado,  sei, mas todos que fizeram esta investida com sinceridade podem confirmar a você que a adega deverá se tornar mais uma vez o que era anteriormente – uma maternidade.

O trabalho da adega somente precisa se tornar intenso para corrigir os graves efeitos secundários dos produtos sintéticos químicos que os fazendeiros foram aconselhados a usar, sem as precauções de suas conseqüências. São este produtos que “estragam” a unidade que uma AOC deveria expressar.

Esta é a razão que não devemos mais fazer um vinho para agradar o sr. X ou sr. Y, que por causa de seu nome poderá vender  para consumidores que estão muito seguros e mal informados das mudanças  dos últimos 25 anos (quantas pessoas sabem por exemplo que produtores de vinho podem fazer uso de 350 leveduras aromáticas e genéticas juntamente com todo um arsenal de outros produtos também?)

Uma vez que o homem não penetre esta esferas moveis da vida, soluções não serão sustentáveis. Elas continuarão como responsabilidades para o mundo todo e irão nos  prevenir de comer e beber as energias harmoniosas que por este fato único permanecerão nutritivas. Mudar a consciência do homem é contingente ao seguir este entendimento.

Esta é a maneira de entender que a agricultura pode virar uma arte de novo, a arte de saber como compreender e informar o uso das forças que dão vida para a Terra. Isto é acima de tudo a porta que se abriu para a biodinâmica. E é por esta razão que tem desenvolvido tão amplamente, especialmente na vinicultura, porque toca uma clientela apaixonada que esta cada vez mais sensível à verdade do paladar. A verdade do gosto -  um conceito chave que a imprensa especializada, se faz estranhamente silenciosa a respeito, muda até, e por que razão será ?

 

Nicolas Joly



Escrito por Didú às 10h38
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Rfelexões do gênio parte II

 

Agora vamos nos perguntar o seguinte: Como a vida chega a Terra? Ao mesmo tempo muitas outras duvidas complementares: Como faz o sistema solar para se manter constante? Por que os planetas tem órbitas estáveis, cada uma com tempos tão diferentes (84 dias para Mercúrio e quase 30 anos para Saturno)?

Quais coincidencias são manifestadas através destes ritmos? Por que nosso sistema solar move-se a 30 kms por segundo em direção a Sirius? Quais são  as forças ativas que mantem estes equilíbrios e qual é o seu significado? Existem dúzias, centenas de questões como estas que deveriam ser questionadas pelos alunos de Agricultura para que eles ficassem cientes nas suas decisões futuras, do impacto dos seus atos.

Inicialmente deve-se entender que por trás destes sutis e magníficos equilíbrios existe em primeiro lugar um equilíbrio de forças que poderíamos simplificar com termos como atração solar e gravidade. Cada um “puxa” na sua própria direção  e o todo forma um equilíbrio celestial onde  indiretamente, nós vivemos.

As palavras chaves são “equilíbrio de forças”. O que elas são? Como funcionam? Podemos fazer uso delas? ( ver Schauberger e as forças da implosão por exemplo). Estas são as questões chaves que poderiam ajudar a evoluir  nossas intervenções agrícolas. A vida chega a Terra através de milhões de freqüências, comprimentos de ondas cósmicas com cada uma carregando informação bastante especifica.

No final, cada planta é um sitema energético para ouvir ou receber que leva o que for necessário para expressar sua especifidade. É um pouco o mesmo sistema – mas não a mesma coisa é claro – como esses giga hertz, que são tão prejudiciais quando estão próximos das freqüências cósmicas, que num quarto de segundo trás a voz de um amigo localizado a 8000 kms distante do seu ouvido.A onda carregou suas vozes praticamente no mesmo instante.

A vida na Terra é o resultado de um incrível sistema de informação onde cada planeta, cada constelação, se expressa a si mesma através de ondas, cada uma carregando informação.

A enorme porta aberta por Rudolf Steiner na medicina, na agricultura, na educação etc foi para explicar  a base energética do mundo físico, ou se você preferir, os meandros e resultados destas matrizes de força que permitem a Terra sustentar o que chamamos vida, da qual a natureza, no seu sentido mais amplo, é uma ilustração. Mas também para explicar como podemos coloca-la em pauta e  ajudar-nos para esse sistema, que é livre. Para esta vida é livre; é um presente dado para a Terra.

Se começarmos a explicar aos alunos do que é feito esse sistema, como funciona, como podemos medir seus efeitos (cristalização, morfo-cromatografia, etc.), e como coloca-la em pauta também, imediatamente sua humanidade, quero dizer sua qualidade de ser humano, se despertará. Cada pessoa sente como se elas fossem parte de alguma coisa imensa donde  nós também viemos e isso dá sentido à nossa vida e a sociedade a qual  pertencemos.

E também é isso que poderia nos ajudar a evitar essas grandes depressões – tantos suicídios como morte por acidente de transito – que são tão indicativas da falência de um sistema. Finalmente, com uma aproximação macrocósmica, nós ajudamos a Terra e ela nos devolve cem vezes mais.

 

Neste nova abordagem nós não impusemos nada mais na planta com um olho cego para o resto, nós somente aumentamos as nossas capacidades receptivas, sua “acústica” se você preferir, para estas forças que lhe dão vida. Nós a trazemos perto da “sua força modelo” ou a matriz energética que a moldou e lhe deu corpo.

Os genes por si só são uma ilusão; eles são tão somente o primeiro elemento visível de um plano energético que o armou. O mundo científico sabe disso pois dizem “não é o próprio gene mas o que está a seu redor que agiliza”.

 

A genética somente representará progresso quando entendermos o sistema que organiza ou arruma os genes. Se esse passo não for tomado, a genética se tornará uma terrível ferramenta perigosa, pois carrega forças que são intensamente desorganizadoras que disturbam e até atacam o sistema que está encarregado de ordenar a vida na Terra.

E isso só pode resultar em mais problemas e necessidade de “auxiliares arbitrários” que o mundo como um todo precisa pagar mais uma vez.

Progresso real é entender como um macrocosmo, um mundo energético aprisiona a si mesmo, se separa e se isola em matéria; como cada peça do tabuleiro pode ajudar a trazer a tona o elo para uma imagem global, um todo energético, que é por assim dizer, um macrocosmo que se torna um microcosmo.

Nos já temos isso com o mito de Isis e Osíris onde Isis na Terra procura desesperadamente por pedaços de Osíris que Typhon (gravidade) separou em pedaços ( encarnação; separação). Encontrando de novo o elo a tudo através do entendimento das partes é o trabalho que cientistas deveriam incumbir-se. E é isso que as preparações biodinâmicas fazem à sua maneira.

No final, eles agem um pouco como emissores/receptores minúsculos ligados a processos muito precisos que podem resultar depois em traços visivelmente específicos e para vida microbiológica, etc., mas que acima de tudo encoraja harmonia num nível qualitativo. Isto só pode ser medido qualitativamente e não quantitativamente.

O que gostamos num vinho, ou numa pintura de Van Gogh, é algo qualitativo que não é terreno mas celestial e é por esta razão que nos deliciamos com o resto. Arte é uma elevação do mundo material. Na agricultura é a mesma coisa. Querendo estudar qualidade no nível da matéria , através das medidas físicas termina simplesmente na sua negação. E é neste beco sem saída que nós calamos o mundo cientifico.



Escrito por Didú às 10h36
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Reflexões do gênio parte I

 

 

RECUPERANDO A ARTE PERDIDA DA AGRICULTURA BIODINÂMICA

Vemos por toda parte uma onda de mudança na percepção  relativa  aos efeitos terrivelmente destrutivos dos produtos químicos que vem sendo usados na agricultura nas ultimas décadas. Mas como poderemos definitivamente sair deste impasse que tem sido tão bem construído com a cumplicidade, talvez inconsciente, de tantas Câmeras e Organizações de Agricultura? Esta é a pergunta  que se faz hoje e com pressão cada vez mais urgente: como poderemos sair deste negocio obsceno?

As respostas para esta questão ainda são confusas  e geralmente insatisfatórias num nível ético. Existe um esforço de se tentar e encontrar produtos menos danosos, mais equipamentos “ecológicos” ou de reproduzir moléculas de produtos naturais, etc., etc.

Mas as respostas fundamentais não serão aí encontradas; acesso a solução sustentável  humana, mesmo que elas possam chocar as áreas cientificas e de ensino deverão  ser encontradas numa maneira diferente de pensar. O que isso significa?

Para reforçarmos a manifestação dos que estão vivos, da vida, e assim limitando ou evitando as doenças, precisamos ter um domínio inteiramente diferente do mundo dos vivos do que temos hoje. Não podemos entender totalmente a vida  dissectando um organismo vivo ate atingirmos o infinitamente pequeno,  além de o estudarmos no nível estritamente fisico.

A matéria, que os cientistas tanto reverenciam, como resultado de um treinamento incompleto que receberam, é nada mais que  um resultado ou consequência dos processos que tem diferentes substancias fixas  numa forma precisa que resultará em espécies vegetais ou  outra coisa.

O que nos deveria interessar para um profundo entendimento da planta são os processos que a criaram, não a  planta em si.    Se pegarmos o exemplo do chef confeiteiro que faz um bolo, o que nos interessa é o chef, mais que o bolo propriamente dito,  mesmo que analisemos  por vários ângulos. Isto é o mesmo com a matéria.

Estas forças que nós chamamos vida,  e precisa ser absolutamente entendida para atingirmos um progresso verdadeiro, é extinta e finalmente morre como matéria. A morte é somente uma vitória  da materialidade sobre o ser vivo. Para entender a vida profundamente, precisamos deixar a matéria para trás e focarmos em entender o sistema que dá vida à Terra.

A Terra, nosso querido planeta não possui vida, ela a recebe por pertencer ao sistema solar e estelar. Sem eles a Terra iria morrer, em outras palavras, se tirássemos a Terra do sistema solar ou a fossemos cobrir com um imenso plástico opaco (o que num certo sentido estamos começando a fazer, especialmente num nível energético, com a saturação da poluição hertziana que estamos impondo na atmosfera, sem termos  a menor ideia disso ao utilizarmos os celulares, gps, satélites, etc., etc.), a vida já teria desaparecido por completo.



Escrito por Didú às 10h34
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De Chablis para Carapicuiba

 

Superado o jet-lag de um vôo repleto de brasileiros (não é mole não...) vindo de Paris, desfiz as malas, levei tudo a lavanderia junto com uma latinha de balinhas de aniz como lembrança ao proprietário da lavanderia que é educado, gentil e simpático.

Guardei sem lavar apenas meu pull over preto que estava com todas as "leveduras" chablisiennes e também os cheiros do queijo Epoisses e dos "saucissons" que vieram escondidos na mala e os cheiros dos simpáticos cachorros da querida Athénaïs de Béru, que vesti para que meus cachorros entendessem de onde estava vindo. Estou com eles em volta agora escrevendo este texto e fumando meu charuto que sobrou da viagem.

Prometo depois com calma mostrar muito do que vi lá. Gravei nada menos que 576 "takes" em exatas 5horas e 36 minutos de material. Daria para fazer um longa metragem de Chablis e seus arredores. Eu quero apenas registrar agora o que está fresco em minha memória.

O roteiro que a Caroline Putnoki montou para nós era perfeito e contemplou de tudo, da história, da região, da cultura, da didática do solo, do terroir, dos "climats", dos produtores e ainda teve a gentileza de incluir as sugestões de visitas que pedi.

Fomos a produtores grandes (existe sim), a médios e a pequenos, a famosos e a desconhecidos, a antigos e a novos, passamos por gente famosa como o Vincent Dauvissat, que como um beatnik blasé, se senta relaxado em um banquinho em meio a suas barricas e se diverte em ver jovens Sommeliers tietes ao seu redor babando de estar com ele.

Confesso que mesmo deliciosos, achei seus vinhos um pouco abaixo de sua fama, ao menos na comparação com vários outros que conheci em Chablis, mas o homem vende tudo com antecedência e faz sucesso, há que se respeitar afinal. Depois falarei de cada produtor que estive, basta ter paciência e acompanhar meu blog.

Chablis é um sonho. Cidade limpa, pequena, charmosa, educada, com aquelas  “boulangeries” e “charcuteries” de babar para  gourmands como eu. Me esbaldei com tudo, com os biscoitos Duché, com os deliciosos éclaires, palmieres, biscoitos diversos e pães, e pude provar a tradicional Andouillete, uma comida local como os “chihulin” uruguaios, só que feita com tripas de porco. Há vários tipos e come-se frio, grelhado, ensopado, embebido em vinho, etc., pelo menos eu as comi e adorei. Cheira forte e é do tipo ame ou deixe e eu amei.

Aos domingos o centrinho enche de gente numa feira que mistura de tudo, roupas, artigos de cozinha, temperos, queijos, galinhas e patos vivos, frutas e legumes, embutidos maravilhosos e até uma van que é um assador de frangos. Ao final se fecha e vai embora. Até um açougue que fazia o famoso “boudin noir’ na hora. Eu filmei isso. Muita gente não consegue nem olhar, afinal é sangue de porco temperado dentro de uma tripa… Vou mostrar tudo isso com calma depois, prometo.

Fomos tratados como reis pelo Comite de Produtores da Bourgogne. O hotel L’Hostellerie des Clos era show, dentro da Willian Fevre, hoje propriedade da Henriot, dona também da Bouchard & Fils. Meu quarto tinha dois andares e duas entradas, um espetáculo que me serviu apenas para dormir, tomar banho e editar vídeos entre uma degustação e outra. Degustamos exatos 170 vinhos diferentes e fizemos uma espécie de pós-graduação intensiva sobre Chablis.

Chalis é uma AOC desde 1938 e revista em 1947 que determinou seus limites e exigiu que apenas a casta Chardonnay pudesse ser produzida lá para ter direito ao nome Chablis.

Para sintetizar a alguém nem leigo e nem expert como eu, Chablis tem 4 níveis de vinhos: Os Petit Chablis que são os mais simples, os Chablis que são terroirs de maior qualidade, os 1er. Cru, os mais complicados de se entender, que são 17, mas que se transformam em 40 quando o olhamos em seus “Climat” e os Grand Cru, que na verdade é um Grand Cru apenas dividido em 7 “Climat” diferentes, geralmente o "Crème de la Crème".

Os Climat são um aprofundamento no Terroir, se entendemos "teroir" como o conjunto de tipo de solo, de clima, caracteríticas da região e da interferência do homem, já os "Climats" são um aprofundamento disso nas parcelas.

“Climat” é a conjunção de diversos fatores, como o tipo de solo (cré (giz), marne e a argila),  que se sobrepõem em camadas e dependendo do “Climat” alguns são mais espessos que outros, o que faz toda a diferença na uva.

Não bastasse isso há ainda a influência da inclinação do terreno, sua altitude de 100 a 250 metros, seu posicionamento em relação ao sol (o vinhedo que toma o sol da manhã torna diferente o resultado na uva que tomou o mesmo sol à tarde), o perfil do terreno em relação aos ventos e por final o estilo do produtor. Que tal? É fácil? Isso é o Climat e isso é Chablis. Em todo produtor você encontra grandes fósseis de enormes caramujos (até 30 centímetors) pré-históricos encontrados em seu solo, filmei isso também e mostrarei depois.

O vinho Chardonnay de Chablis, para nós consumidores normais pode ser entendido como um Chardonnay com mais acidez do que o que conhecemos normalmente.  Uma acidez longa, que fica na boca, mas com profundidade e uma base grande.

Muitos dos Petit Chablis se aproximam em estilo dos sauvignon blanc em seu frescor, porém com os aromas de Chardonnay. Os  Chablis, são um pouco mais densos. Estes quase nunca passam por madeira.

Os 1er Cru e os Grand Cru são bem mais complexos, mais densos e estruturados, com grande e elegante acidez e a maioria passa por madeira, mas sempre com muita elegância, muito discrição, vinhos finos. Eu não provei nenhum que tivesse exagerado na barrica. São muito elegantes. 

Se você pensar em termos de harmonização com comida, os dois primeiros são claramente para aperitivos e frutos do mar, as ostras, os polvos a vinagrete, etc., mas os segundos para as Coquilles St. Jacques, os peixes. Já os 1er Cru e os Grand Cru para as blanquette de veau, as lagostas com molhos de mourilles, e até os fois-gras.

Agora, espetaculares mesmo são os Chablis envelhecidos, muito raro de se encontrar. Tive o privilégio de provar um Grenouille do Benoît Drouin de 1973! Foi de emocionar, com flores murchas, marzipan, flor de camomila,  champingnon, marmelo em calda, chá e acreditem, ainda com acidez. Um espetáculo que marcou a generosidade e elegância de Benoît.

Este vinho junto com o La Boissonneuse e o Nature de Brocard e todos os do casal de Moor foram certamente como andar nas nuvens e me emocionaram. Foram "secondo me" o ponto mais alto do que provei que estava em altíssimo nível.

Uma curosidade é que se compra e se bebe os vinhos novos em Chablis, mas eles evoluem maravilhosamente e ficam divinos. Em todos os produtores era raro se encontrar vinhos mais antigos.

Soube que os 1er Cru e os Grand Cru se mantêm por uns dez anos, mais ou menos, no mesmo nível antes de crescerem de verdade, o que poderia eventualmente ter gerado esse comportamento de consumir o Chablis sempre jovem, mas é certo que passados esses dez anos eles dão um grande salto e explodem em elegância. Se você tem grana, disciplina e método como meu amigo Pagliari que tanta falta me fez nessa viagem, guarde seus Chablis para 2020 e certamente se surpreenderá.

Uma vantagem a mais dos vinhos biodinâmicos, minha preferência, é que eles mostram desde o início grande parte dessa exuberância.

Adorei a viagem, agradeço a Sopexa, ao Conselho de Chablis dos Produtores da Bourgogne, a Caroline Putnoki e a Lucia Paes de Barros pelo maravilhoso convite, já estou com saudades. Bacio.



Escrito por Didú às 11h01
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Com relação ao Vinho o governo brasileiro me envergonha



Escrito por Didú às 07h07
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O Museu do Vinho de Alain Geoffroy



Escrito por Didú às 18h33
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O fantástico Alain Geoffroy

Conheci o fantástico Alain Geoffroy do Domaine do mesmo nome, que tem grande importância na história do Chablis. Seus vinhos chegam ao Brasil pelas mãos da Decanter de Adolar Herman. Seus vinho têm "secondo me" uma linha condutora em todos os níveis, dos Petit Chablis, aos Grand Cru de Chablis, passando pelos Chablis e pelos 1er Cru de Chablis que é uma mineralidade tão forte que chega a dar uma ardência na língua, como a de uma pimenta fraca na ponta da língua. Perguntei isso a ele e veja a resposta:

 



Escrito por Didú às 18h21
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A prensa de Laroche do século XIII

Eu escrevi no vídeo "século XII" mas é "século XIII", o que de fato pouco muda para nós e como eu editei esse vídeo completamente embriagado e fatigado nessa viagem que tem um toque de "La Grande Bouffe" vocês devem me perdoar...

Mas o que queria era mostrar a vocês a emoção de mergulhar na história, de colocar a mão num objeto que foi manuseado quando nem existia o Brasil, que espremeu uvas de videiras que não existem mais, por pessoas que não existem mais, que encheu garrafas de vidro que se perderam por aí... Alguma teria sido jogada ao mar com uma carta de amor, ou uma carta de socorro? Alguma teria sido quebrada na cabeça de alguém numa noite de algazarra?... Esses vinhos teriam sugerido a coragem a algum apaixonado a se declarar? Teria aquecido o coração de um solitário? Teria feito a alegria de um jovem casal apaixonado? Teria alegrado a noite de jovens barulhentos? Pois é e a prensa está aqui na sede da Laroche e eu gravei para lhe mostrar. Quem fala no vídeo é Gwenaël Laroche. Veja:



Escrito por Didú às 04h44
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Yonne

Minha Mãe se chamava Yonne. Estou em Yonne na França, onde fica Chablis e outras cidades desse "departamento". Quando digo às pessoas que minha Mãe se chamava Yonne, todos dizem em seguida: "Yvone?"... PUUUÔÔÔUUUMMMMM.... não senhora, Yvone era minha tia... Ninguém acredita que ela se chamava Yonne mesmo, como o "departamento".

Meu avô Licínio Granja, seu pai, que foi o responsável por me dar uma colher das de chá de vinho do Porto antes mesmo que eu mamasse em sua filha, minha Mãe, deveria gostar muito de Chablis...

Hoje estou aqui em Yonne, bastante feliz, muito distante daquela mulher extraordinária que cuidou de mim com tanto carinho, que deve ter levantado tantas noites para cuidar de mim, me trocar, dar de mamar, me cercar de carinho e protecão e não tenho nem mesmo como lhe agradecer.

A cada placa de Yonne que vejo, cada caixa de biscoitos, embalaegm de manteiga, de queijo, está escrito Yonne, então me emociono em silêncio e disfarço com minhas brincadeiras e provocações. Como gostaria de abraçá-la pôxa, ao menos ligar e dizer: "Mamãe, imagine! Estou em Yonne!" mas nã dá mais. Ces't la vie como dizem em Yonne... Bem, você sabe como funcionam os "departamentos" da França? Veja:

 

 



Escrito por Didú às 04h22
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O Chablis não dá a mínima a Mr. Riedel

Se há uma unanimidade entre "experts" a respeito de taças de vinho é a de que Mr. Riedel deu um show principalmente com os modelos  Chardonnay, Sauvignon Blanc, Bordeaux e Bourgogne rouge, mas em Chablis ninguém dá a menor bola para o conceito Riedel.

Em todos os produtores que estamos visitando foi a coisa que mais me chamou a atenção. Eles lhe servem em taças de Sauvignon Blanc ou taças tipo Sommelier da Inao que nivela por baixo qualquer vinho. A todos tenho feito a mesma pergunta, se conhecem a taça de chardonnay da Riedel e por que não a usam. Todos dizem conhecer mas não acham tudo o que eu acho de diferença.

Fiquei pensando... Será que eu estou por fora?  Será que estou ficando excessivamente sofisticado com a coisa do vinho? Será que o brasileiro está vivendo fora do mundo?  Será que os franceses estão sendo refratários ao novo? Será  que eles consideram o chardonnay Chablis tão diferente assim (e é) do chardonnay da baixa Bourgogne?... a ponto de desconsiderar os conceitos dos diferentes pesos de volatilidade dos aromas de cada casta que genialmente Riedel estudou?

Talvez um pouco de tudo acima, mas eu que não sou nem leigo, nem expert, ainda sou pela taça Riedel Chardonnay. Se eu fosse da Riedel iria urgentemente a Chablis fazer umas demonstrações... Veja abaixo as considerações do simpático Hervé Tucki "ambassadeur" da La Chablisienne.

 



Escrito por Didú às 19h03
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Meus Amigos de Viagem



Escrito por Didú às 01h50
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Chablis é um Sonho



Escrito por Didú às 01h45
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Didú rezando contra as Salvaguardas

Aproveitei o domingo, madruguei como um abade e fui rezar aos Cistercienses na Abadia de Pontigny. Os Cistercienses não falavam, fazia parte de seu voto o silêncio! Você pode imaginar isso?! Eu jamais poderia ser um monge cisterciense gente!

Mas quando soube que estaria em Chablis e por tanto perto da famosa Abadia, prometi a mim mesmo ir lá rezar aos Cistercienses contra as Salvaguardas. Afinal, eles não abriam a boca e por tanto devem ter uma conexão qualquer com o pessoal do sul, os Miolo, o Além Guerra, os irmãos Valduga, que também não abrem a boca para falar das Salvaguardas...


Por mais que os Sommeliers que tanto divulgaram seus bons vinhos e esperam uma explicação sobre esse absurdo pedido, eles se calam. Acho que se converteram em Cistercienses, será?... de boca calada ao menos eles já entendem, não sei se da introspecção e flosofia também, mas de qualquer forma fui lá acender uma vela e rezar pelo bom senso do setor. Para que estejam juntos em paz e harmonia, que usem a inteligência, que entendam que setor é algo bem maior que seu quintal, que saibam recuar e tirar proveito dessa atitude, que esqueçam o bairrismo retrógado que não constrói, que baixem as guardas em fim. Eu confio na minha fé e nos Cistercienses.

 



Escrito por Didú às 03h22
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E aí AMBEV, tá afim?

Outro dia quando em viagem à África do Sul, mostrei uma taça de vinho descartável que o empresário Charles Back estava testanto para vinhos simples. Agora em Chablis, entro num mercado para ver as coisas e me deparo com um copinho descartável muito simpático do Club des Sommeliers. É caríssimo aqui, coisa de € 3,75 !!! Acho que havia algum engano e hoje vou verificar.

Mas vejam que coisa simples para resolver o problema do vinho excedente dos produtores brasileiros. O governo tem comprado em leilões esse estoque excedente a coisa de R$ 0,50 o litro! Vejam um litro deve dar uns 6 copinhos desses ou mais, que poderiam estar chegando ao mercado por cerca de R$ 3,00 com um super lucro.

Serviria para resolver o problema desses produtores que poderiam fazer isso em cooperativa, serviria para aumentar a base de consumidores, pois a R$ 3,00 muita gente tomaria uma tacinha que faz bem à saúde e alegra o coração.

Juro que se eu tivesse grana eu entrava nessa. E aí AMBEV tá afim? O pessoal do vinho prefere o nhem, nhem, nhem... vamos ganhar uma grana com vinho?



Escrito por Didú às 02h21
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